sábado, 15 de julho de 2017

RUA BARRETO LEME: Quem foi Barreto Leme?




Francisco Barreto Leme do Prado foi descendente da antiga família Raposo Góes. Nascido na então Vila de Taubaté em 1704, era o sétimo filho de Pedro Leme de Prado e Francisca de Arruda Cabral.






Casou-se em 1730 com Rosa Maria de Gusmão, da estirpe dos Garcias Velhos, isto aos 26 anos de idade.

Foi proprietário de um sítio de cultura em malacacheta, perto de Pouso Frio, no município de Taubaté.





Veio estabelecer-se na vila de Jundiaí e ouvindo falar das boas terras entre Jundiaí e a vila de Mogi-Mirim, passou a residir num lugar denominado Mato Grosso em 1739, pouso dos bandeirantes que seguiam para Goiás e Cuiabá.





A povoação foi crescendo e Barreto Leme, que era um dos homens mais importantes do lugar, muito fez por ele, a ponto de conseguir a criação da Freguesia das Campinas de Mato Grosso, tendo doado, ao que se diz, o terreno para a construção da igreja do lugar.




Aos 27 de Maio de 1774, o governador da capitania, Dom Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão, atendendo, naturalmente, ao seu mérito, nomeou-o fundador da freguesia.






No dia 14 de Julho de 1774, Barreto Leme conseguiu inaugurar uma capela com uma
missa solene e benção da pia batismal. Esse acontecimento marcou a fundação do Distrito e Freguesia de Nossa Senhora da Conceição. Em 1797, a Freguesia de Campinas foi elevada a Vila de São Carlos.






No Ano de 1842, passou a categoria de cidade com o nome de Campinas.






Barreto Leme morreu no dia 13 de Abril de 1782, aos 78 anos, sendo o seu corpo sepultado na igreja Matriz da Freguesia, que é a atual Matriz do Carmo, ao lado direito de quem entra.

 
 
A Rua Barreto Leme recebeu este nome em 1869 no plenário da Câmara Municipal, em homenagem ao fundador de Campinas Barreto Leme, sendo chamada antes de "Rua da Matriz" por causa da igreja construída de costas para ela. Depois disso ainda foi denominada "Rua da Matriz Velha", por causa da construção de uma nova igreja.
 
 
 
Além de ser conhecida por homenagear o fundador de Campinas, esta rua também é considerada um espaço que centraliza vários pontos culturais como escolas, sebos tradicionais e livrarias.
 





Barreto Leme morou na rua que hoje leva seu nome. O prédio em que morava foi demolido para abrir a Rua Dr. Quirino, a partir da atual Avenida Benjamin Constant.





A Associação Campineira de Imprensa (ACI) está localizada nesta rua desde 1927, idealizada pelo professor Roberto de Souza Pinto. Foi a primeira entidade de jornalistas fundada no estado de São Paulo. Também nesta rua encontra-se a Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob que realiza serviços religiosos em sua sinagoga e ministra aulas de cultura judaica e hebraico.




A Rua Barreto Leme começa na Rua Dr. Ricardo e se prolonga até a Avenida José de Souza Campos, no Cambuí, passando em seu percurso pela Matriz do Carmo e Prefeitura Municipal de Campinas.








Fontes:


Souza, Maria do Carmo.Você e o município: estudos sociais: 3 série, 1 grau/ Maria do Carmo Souza, Campinas(SP): Editora Campinas, 1986.

http://jornalocal.com.br/site/memorias/personagens/arquivo-529/

http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2008/11/personagem-jos-guedes-de-sousa-baro-de.html

http://www.emdec.com.br/hotsites/nossa_cidade/

 

 ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 21 de maio de 2017

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: Jardim Itatinga



O bairro Jardim Itatinga, situado na região sudoeste de Campinas, é considerado uma das maiores áreas de prostituição da América Latina e o único bairro planejado para a prostituição no país. Localizado em uma área periférica envolvida pelas rodovias Santos Dummont e Bandeirantes, e próximo do Aeroporto Internacional de Viracopos, a região abrigava antes uma antiga fazenda de café chamada Pedra Branca, Itatinga em tupi-guarani.



 
O bairro foi criado em 1966, em plena ditadura militar, com a finalidade de isolar as profissionais do sexo dos moradores das outras áreas de Campinas, sobretudo da região central. A decisão de confinar a prostitução em uma área afastada do município, foi baseada nos conceitos morais e numa divisão entre os papéis de mulheres que não poderiam se misturar, principalmente com o grande crescimento urbano da década 1960, devido à industrialização.

A partir de 1966, com o apoio da opinião pública, começou a chamada “Operação Limpeza”, quando as prostitutas que trabalhavam de forma independente nas ruas da cidade foram perseguidas e foram feitos acordos para que as casas de prostituição mudassem para o novo terreno.

O surgimento da bairro Jardim Itatinga ampliou a divisão territorial que existe em Campinas nos aspectos socioeconômicos, uma vez que a região norte é onde estão os terrenos mais valorizados, os condomínios e shoppings, e na região sul concentram-se a maioria das ocupações informais, favelas e loteamentos populares.
 
 
 

Na região do bairro Jardim Itatinga vivem mais de nove mil pessoas, e mais de duas mil profissionais do sexo trabalham no bairro, em cerca de 200 casas de prostituição de pequeno, médio e grande porte. Muitas delas abordam os clientes na rua, enquanto outras ficam espalhadas em boates. Nem todas as pessoas que moram no bairro vivem da prostituição, por isso é comum encontrar casas com a sinalização “casa de família”, para informar não haver ligação com o mercado sexual. Há ainda na região do Itatinga postos de saúde, escolas de educação infantil e ONGs que realizam serviço social com a população.

Um problema social que se expressa na existência deste bairro é a questão da discriminação, pois o preconceito é uma realidade presente na vida das pessoas que vivem do mercado sexual, e ele também existe na visão social voltada para o Itatinga. Por uma questão de tabu e moralidade, a sociedade fecha os olhos aos fatores que estimulam este tipo de atividade, agrava o problema da marginaização e da divisão social.



 
Segundo a pesquisadora Diana Helene, com a criação do Jardim Itatinga, o planejamento urbano conseguiu realizar o seu objetivo de sepração, isolamento e confinamento, produzindo um território marginal e estigmatizado.

 

 

 
Fontes:

 



 

 
 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 13 de maio de 2017

UM OUTRO OLHAR PARA RUA 13 DE MAIO: ZILSON MINZON


Um outro olhar para Rua 13 de maio. Foi assim que Zilson Minzon, um amigo do blog, definiu seus registros fotográficos nesta rua de grande movimentação comercial do centro campineiro. Em vez de registrar o intenso trânsito de pessoas, as inúmeras lojas, o cotidiano agitado, ele preferiu olhar para as belíssimas sacadas das construções presentes nesta rua, e descobriu muita beleza e história.
A data de hoje é 13 de maio de 2017, dia em que foi assinada a Lei Áurea, que libertou os escravos no Brasil, e que, em homenagem, nomeia esta importante rua do centro campineiro.
Parabéns, Zilson, pelo ótimo trabalho!



Autoria fotográfica: Zilson Minzon






Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon






Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon






Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon





Autoria fotográfica: Zilson Minzon




ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 6 de maio de 2017

RUA IRMÃ SERAFINA: Quem foi a Irmã Serafina?



Maria dos Serafins Favre nasceu em Sabóia, na França, no dia 09 de outubro de 1844. Chegou ao Brasil em 1876, para atuar no Hospital da Santa Casa da Misericórdia.

 
 
 
 

Em março de 1879, a Irmandade de Misericórdia fundou o Asilo dos Orfãos, anexo à Santa Casa. Cinco anos depois, quando o estabelecimento já possuía 200 matrículas de crianças, sua direção ficou na responsabilidade da Irmã Serafina, e pelas irmãs Maria Micaela e Luiza Helena, todas da Ordem Religiosa de São José (da Congregação de Chambéry, na França). As irmãs também ministravam aulas de ensino do grau primário.

 

 

A Irmã Serafina teve uma atuação para sempre digna de todos os reconhecimentos, por conta de sua dedicação e assistência aos doentes atingidos pelo surto de febre amarela, no final do século XIX. Essa doença dizimou um terço da população campineira. Os doentes eram socorridos no pavilhão de isolamento da Santa Casa e em um hospital ambulante, criado por iniciativa das irmãs diante da urgência e do alastramento da doença.





A irmã Serafina faleceu em abril de 1889, aos 44 anos, depois de ter sido contaminada pela doença. Seu atestado de morte foi assinado pelo médico Ângelo Simões. A inscrição gravada em sua lápide traduz a fatalidade que lhe ocorreu, por causa do empenho no exercício de seu ofício: “Vítima de sua dedicação”.


 

A Rua Irmã Serafina tem seu início na Rua Uruguaiana e se prolonga até a Rua General Osório. Já foi denominada Rua do Brejo ou Rua da Bica Grande, pela existência de uma bica de água na esquina com a atual Rua General Osório.




Era conhecida como Rua 7 de Setembro até 1889, quando recebeu a designação atual após a aprovação da proposta ofertada pelos vereadores Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, Otto Langaard  e José França Camargo. Como razão para propor esta denominação, foi justificado o desejo de render um tributo às “virtudes dos chamados mártires da caridade e abnegação que, no desenrolar da horrível peste, dizimou a população desta cidade, caíram vítimas de sua devoção e salvação de seus conterrâneos”.

 
 

Em 1934, a Rua Irmã Serafina foi desdobrada em duas partes por determinação do Prefeito Municipal, o engenheiro Perseu Leite de Barros. Assim, o trecho compreendido a partir da Rua General Osório até a Avenida Orosimbo Maia passou a denominar-se Anchieta. O trecho entre a Rua Uruguaiana até a General Osório permaneceu com a denominação de Irmã Serafina. Já na administração de Rui Novais a rua transformou-se em avenida com a separação das palmeiras centrais do jardim Carlos Gomes mantendo esta configuração até os dias atuais.




 


Alguns pontos conhecidos e importantes da cidade de Campinas situam-se na Rua Irmã Serafina. A Praça Carlos Gomes é um dos marcos históricos dessa rua. O maestro Antônio Carlos Gomes chegou a morar lá, quando era criança. Em 1883, a praça começou a ser enfeitada com palmeiras imperiais, sob orientação de Ramos de Azevedo. O coreto só foi construído em 1941.





Também está presente na Rua Irmã Serafina o Clube Semanal de Cultura Artística, fundado em 1857. Bento Quirino dos Santos foi um de seus fundadores e sua primeira sede foi na Rua Regente Feijó com a Barreto Leme. A soprano campineira Maria Monteiro e o maestro Carlos Gomes se apresentaram neste clube, dentre outros grandes nomes.

 
 

Na Rua Irmã Serafina está presente o Edifício Itatiaia, único projeto de Oscar Niemeyer em Campinas, cuja construção foi iniciada em 1953. Está rua também foi endereço do Campinas Palace Hotel.









O Centro Espírita Alan Kardec é outra construção conhecida desta rua.

 











Fontes:

 




 
ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

RETRATOS DE CAMPINAS - Abril de 2017




RUA MARECHAL DEODORO





RUA PROFESSOR LUIZ ROSA





AVENIDA OROSIMBO MAIA





RUA BARÃO GERALDO DE RESENDE







ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 22 de abril de 2017

PREFEITOS DE CAMPINAS: Orestes Quércia



Orestes Quércia nasceu em Pedregulho, no dia 18 de agosto de 1938. Era filho do empresário Octávio Quércia e de Isaura Roque Quércia.

 
 

Estudou no Ginásio Estadual de Pedregulho e no Ginásio Estadual Torquato Celeiro, em Franca. Ainda jovem mudou-se com a família para Campinas, e estudou na Escola Normal Livre, onde foi vice-presidente do grêmio da escola, dando seus primeiros passos políticos. Em seguida, formou-se em jornalismo e Direito. Na Pontifícia Universidade Católica de Campinas também obteve a formação como Administrador de Empresas.

 
 
 
 
Em Campinas, trabalhou como repórter do jornal Diário do Povo, e quando cursava jornalismo na PUC, foi diretor do Centro Acadêmico 16 de Abril. Fundou a Universidade de Cultura Popular, ligada a PUC.

Entre os anos de 1959 e 1963, foi locutor da Rádio Cultura e da Rádio Brasil. Também trabalhou no jornal de Campinas e na sucursal Última Hora. Foi presidente da Associação Campinense de Imprensa e assistente de produção do Departamento de Estradas de Rodagem.

 

 
 
Iniciou sua carreira política em Campinas, como vereador e depois assumindo a prefeitura. Seu primeiro partido foi o Partido Libertador, através do qual foi eleito vereador em 1962. Foi eleito deputado estadual pelo MDB, partido no qual, em 1972, dedicou-se a organização de diretórios no interior paulista, disputando pelo mesmo a candidatura para concorrer à eleição ao Senado Federal em 1974, e saiu vencedor. Sua carreira política foi alavancada com a eleição ao Senado, quando obteve expressiva quantidade de votos. Na tribuna, foi crítico da política econômica do governo Ernesto Geisel.

 
 

Em 1980, com o retorno do pluripartidarismo, ingressou no PMDB, e declarou-se candidato à sucessão do governo de Paulo Maluf já no ano de 1981, mas através de um acordo tornou-se candidato a vice-governador, na chapa de Franco Montoro, em 1982. Foi adepto das Diretas Já e da campanha vitoriosa de Tancredo Neves à Presidência da República em 1985. Naquele ano, Orestes Quércia casou-se com Alaíde Cristina Barbosa Ulson.



 
Foi eleito Governador do Estado de São Paulo em 1987, após se tornar um nome de peso dentro do partido político ao qual pertencia. Em seu governo, dentre suas realzações destacaram-se a privatização da VASP, em 1990. A criação da Secretaria do Menor, uma atitude pioneira e anterior a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente. A realização de  investimentos da duplicação de rodovias como Anhanguera e D.Pedro I e ampliação das linhas leste-oeste do metrô, inaugurando as estações Barra Funda, Vila-Matilde e Corinthians-Itaquera. A invenção do Rádio Patrulhamento Padrão, destinado à segurança pública, e que aproximava a polícia da comunidade. O desenvolvimento de ações para o fortalecimento do interior, como a regionalização da produção.

 
Seu governo sofreu acusação de corrupção e suborno, como no caso do escândalo Banespa/Cecatto e dos equipamentos israelenses para as universidades, polícia civil e militar, adquiridos sem licitações.




Foi um dos fundadores do PMBD e presidiu-o de 24 de março de 1991 a 26 de abril de 1993. Foi presidente do diretório do partido em São Paulo, de 2001 a 2003 e de 2006 a 2009. Após deixar o governo do Estado de São Paulo, não conseguiu se eleger em nenhuma eleição.

Ao longo da carreira política foi alvo de muitas acusações de corrupção e enriquecimento ilícito. Foi proprietário de negócios nos ramos imobiliários e de comunicações, como o grupo empresarial Sol Panamby, detentor do controle da Rádio Nova Brasil FM, jornal financeiro DCI e duas emissoras de Televisão, TVB Campinas e TVB Band Litoral de Santos. Também foi controlador do Shopping Jaraguá e dono de várias fazendas.

 
 
 

Orestes Quércia tornou-se prefeito de Campinas em 1968. Em sua gestão desenvolveu trabalhos através do planejamento coordenado com a Universidade Estadual de Campinas. Foi autor do projeto de avenidas expressas, pavimentou ruas e avenidas, aperfeiçoou o saneamento com a construção da terceira estação de tratamento de água e a elaboração do plano diretor de esgotos. Urbanizou o parque Taquaral, na época o maior centro turístico da estado. Construiu o palácio dos Esportes e instalou praças de esportes nos bairros mais populosos. Criou ainda novas núcleos de habitação popular  e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas. Em 1972, apoiou a candidatura de Lauro Péricles Gonçalves à sua sucessão na prefeitura, que foi vitoriosa. Em 1977, surgiram notícias de ocorrência de casos de corrupção, durante seu mandato como prefeito, mas tais afirmações não foram comprovadas.

 
 

Orestes Quércia faleceu na véspera do Natal de 2010, aos 72 anos, vítima de um câncer de próstata.

 
 
 
 
Fontes:

 







ALEXANDRE CAMPANHOLA